sábado, 5 de janeiro de 2013

Viagem para a Itália (Parte 3 - Trento)


Gostaria de compartilhar algumas histórias da viagem que fizemos à Itália no ano de 2010:

Nosso grupo, sempre muito alegre, fica ainda mais alegre quando o assunto é viajar para degustar novos vinhos, conhecer novas culinárias e novos lugares.
E, ‘embevecidos’ nessa experiência ímpar é comum acontecer situações engraçadas, contarem piadas que, ou já foram contadas, ou de tão sem graça, passam a ser engraçadas...
Para ver a relação completa dos vinhos degustados nesta viagem vejam em
http://solerafloripa.blogspot.com.br/2011/06/viagem-para-italia-parte-2.html

24/04/2010 (Milão - Trento)

Fomos recepcionados, em Milão, por Ruggero (nosso motorista durante toda a viagem) e pela guia Ju, que organizou um passeio mais que especial. Eles também apreciavam um bom vinho e boas comidas. Fizemos uma pequena viagem até chegar na pequena cidade trentina onde ficamos hospedados (Hotel Alpenrose) em Vattaro. Passamos por belas paisagens, vimos muitas videiras, vales, castelos e montanhas nevadas. Chamou nossa atenção os campos de flores amarelas, era a plantação de colza, planta da qual se faz o óleo de canola (canadian oil).


Durante a viagem o Ruggero comentou que pelo vale em que passávamos, o lado direito tem solo calcário e é onde se planta a uva cabernet sauvignon e, do lado esquerdo, que tem solo sedimentar, planta-se merlot. Na região trentina colhe-se, por determinação legal, até sete toneladas de uva por hectare e a condução das videiras é feita em 'V', chamada de pérgola trentina. Para a produção das uvas brancas a forma de condução é outra. No Trento existe uma uva típica chamada Marzemino, autóctone e muito forte. Nosso hotel ficava ao pé um uma montanha dos dolomites com pico nevado, um lugar maravilhoso. O primeiro jantar servido no hotel teve lasanha de urtiga e torteloni de speck (pernil defumado com ervas) servido com nozes; bebemos vinho tinto Concilio, DOC, marzenino trentino, 13%, 2008.


25/04/2010 (Trento)

Visitamos a cantina ELENA WALCH, região do Alto Adige. Bela vinícola, fomos bem recepcionados e os vinhos eram equilibrados e elegantes. A cantina tinha sido um mosteiro. As caves tem 400 anos e eram antigas cisternas (de vinho), pois, antigamente, preferia-se quantidade e há 25 anos preferem qualidade. Os tonéis de aço inox foram montados nas caves.

Almoçamos na beira do Lago de Caldaro, no Castel Chiaro. Ao fundo, um grande vinhedo e no alto de uma montanha podíamos ver um castelo com uma bandeira panejando. No final da tarde fomos conhecer a cidade de Trento, jantamos numa pizzaria e, para variar, bebemos cerveja.

26/04/2010 (Trento)

Pela manhã fizemos uma visita ao SPUMANTIFICIO FERRARI de TRENTO (a visita nos decepcionou, pois esperávamos mais). Atendimento frio e sem cuidado. O espumante servido já estava aberto desde o dia anterior. Depois fomos à Cantina Pisoni, estabelecimento familiar, com agricultura biológica, recepção cordial, serviram, além dos vinhos, produtos locais, como: queijos, salames etc. Muito saborosos. Porém, é mais conhecida pela produção de grapas e licores. Um lugar muito bonito, na base de uma montanha que era uma imensa rocha.


De tarde fomos à vinicola Di toblino, cuja especialidade é a produção de "Vino Santo", por isso os vinhos normais não impressionaram muito.
Esta vinícola fica a beira do lago Toblino, onde tem o castelo Toblino (explicaram que quando o castelo tem bandeira é porque tem alguém morando nele. Nesta vinícola vimos "bombas" (como as de gasolina nos postos), só que eram de vinho e as pessoas levam suas garrafas/garrafões para abastecer.


Nesta vinícola foi explicado que lá as videiras estão plantadas em um lugar que tem o vento da hora. O vento que vem do Lago di Garda e que mantem seco o vinhedo e as uvas, além de manter a temperatura. Este vento tem esse nome porque vem sempre na mesma hora.

Uma pessoa do nosso grupo tropeçou e caiu; após a visita, caiu novamente, e outro amigo falou: “cuidado, na terceira vez Cristo foi crucificado”, rimos muito.

Cantucci e o Vino Santo

Após provarmos o vinho santo o Rugero nos explicou que em Siena este vinho é servido com um biscoito (chamado cantucci) que é comido molhado no vinho. Então, as piadas foram inevitáveis: “vamos molhar o biscoito (no vinho santo)”.

O vino santo é feito com a uva nosiola, e tem esse nome porque é pisado (espremido para fazer o mosto) na semana santa. Da colheita até a espremedura a uva seca e o vinho é feito desta uva passa.
É um vinho de sobremesa (doce).
Também visitamos a casa onde a Madre Paulina nasceu em Vigolo Vattaro (moradora de Nova Trento em Santa Catarina), considerada a primeira santa brasileira.


Os vinhos da Cantina Francesco Moser foram degustados no Hotel Alpenrose. Foi apresentado pelo Rudgero nosso Enoautista (no bom português eno motorista), pois o dono da vinícola não pode ir, mas mandou os vinhos. A janta foi panqueca com funghi e queijo, risoto de teroldego, filé de vitela à pimenta verde, salada e tiramisu. Depois de tanto vinho chegamos a conclusão que estávamos fazendo “enodialise” (besteirol).
Descobrimos os três pecados capitais da Itália:
  1. roubar para os outros;
  2. tomar vinho ruim e
  3. arranjar uma amante mais feia que a esposa.


Veja também:
Viagem para a Itália (parte 1)
Viagem para a Itália (parte 2)
Viagem para a Itália (Parte 4 - Veneto)

Viagem para a Itália (Parte 5 - toscana) Viagem para a Itália (Parte 6 - Sardenha)