domingo, 13 de novembro de 2011

Vinho verde

Vinho verde Casa de Sezim


O vinho verde é o vinho português por excelência. Existem vinhos verdes, brancos e tintos, rosés e espumantes. Existem também vinagres de vinho verde, aguardentes de vinho verde e reconhecidas bagaceiras. Normalmente com pouca graduação alcoólica e uma ligeira gaseificação e deve ser provado gelado e, na grande maioria dos casos, bem jovem.
Constitui uma denominação de origem controlada cuja demarcação remonta a 1908, para vinhos jovens no Noroeste de Portugal, entre o Rio Minho e o Rio Douro.
A origem do nome tem diversas versões. O vinho não tem a cor verde nem é feita com uvas não maduras. A primeira versão, menos provável, seria devido ao fato da região de produção, o Minho, ter a vegetação sempre verde, mesmo no inverno. Na segunda interpretação atribui-se o nome ao fato de que as uvas das cepas utilizadas, mesmo maduras, produzem um líquido com alta acidez e baixo teor alcoólico, características associadas a uvas “verdes”.
Finalmente, como o vinho verde não envelhece bem ele não “amadurece” sendo tomado ainda “verde”.
As principais castas são, para os brancos, o Loureiro, o Alvarinho, o Arinto (conhecido localmente por Pedernã) e a Trajadura. Para os tintos são o Vinhão e para rosados o Espadeiro. Também existem por toda a região demarcada de vinhos verdes a tinta nacional, asal tinto e tinturão. Raramente são indicadas nos rótulos as cepas utilizadas.
Os tintos são vinificados com casca e engaços e costumam ser muito duros e agressivos. Combinam apenas com os pratos locais fortes como o cozido. Os autores internacionais costumam torcer o nariz para os verdes tintos. 
Os brancos secos costumam ser frescos, agradáveis, combinando com o nosso clima. Também são produzidos os meio doces e doces. Infelizmente nem sempre é indicada no rótulo esta condição.
A cepa Alvarinho é um caso a parte. Produz um vinho com teor alcoólico mais elevado, até 13%, e permite um maior envelhecimento. É produzido na sub-região de Monções na fronteira com Espanha. É um produto mais encorpado, com mais classe e muitos dizem não ser um vinho verde propriamente dito.
Na vinificação do vinho verde as uvas não costumam ter um grau alto de açúcar e por consequência resultam em baixos teores de álcool. No entanto o teor de ácido málico é elevado o que tornaria o vinho intragável. É necessária uma segundo fermentação a chamada malolática, transformando o ácido málico no mais suave acido lático. Desta segunda fermentação sobra algum gás que caracteriza o vinho verde com a famosa “agulha” que “pinica” a língua. Este gás em outros vinhos seria um defeito mas no vinho verde é uma característica. Produtores modernos estão buscando um vinho mais de acordo com o gosto internacional. Mais frutado e com menos “agulha”. Para os mais tradicionalistas isto descaracteriza o verdadeiro vinho verde.
Existem cinco sub-regiões do vinho verde: Amarante, Braga, Monção, Penafiel e Lima.
O Vinho verde por ter uma acidez bem marcante,  tende a combinar por contraste com comidas com gordura como queijos jovens com elevada acidez e pouco sal, como queijos de cabra e sardinhas gordas grelhadas.
No grupo provamos provamos em 2006 os seguintes vinhos verdes Portal do Fidalgo 2004, Casal Garcia tinto 2004, Calamares 2003, Neblina 2004, Varanda do Conde 2004 http://solerafloripa.blogspot.com/2011/10/o-oitavo-ano-2006.html
Na viagem a Portugal visitamos a casa de Sezim e a Quinta de Aveleda (produtora do vinho Casal Garcia).
A vinha é cultivada em socalcos, com vestígios de uma das mais antigas formas de condução da vinha: a "vinha de enforcado" ou "uveira", em que as videiras são plantadas junto a uma árvore e crescem apoiadas nos seus ramos. No entanto, a maioria das novas explorações opta por métodos modernos de condução da vinha.

Forma de condução Vinhas de Enforcado

Reunião 73

viDia: 14/01/2006

Tema: Vinho verde.

Vinhos:
  • Casal Garcia tinto, 9,5% álcool, ano 2004, vinho tinto seco DOC Vinho Verde. Sociedade Agrícola e Comercial da Quinta da Aveleda, Penafiel, Portugal. Castas: não indicadas. Aparência: límpido, cor púrpura fechada. Aroma agradável com baixa intensidade. Sabor bem agressivo no primeiro ataque. Baixo teor alcoólico, pouco corpo, alta acidez, muita adstringência e levemente frisante, bem característicos do vinho verde. Na seqüência dos goles alguns até acharam interessante. (nº261)
  • Calamares, 9% álcool, ano 2003, vinho branco meio seco, DOC Vinho Verde. Caves Dom Teodósio S.A. Rio Maior Portugal. Casta: não indicadas. Aparência: límpido, cor branco.  Aroma agradável de baixa intensidade maçã verde. Sabor agradável, alta acidez, levemente frisante, bem refrescante combinou bem com as tainhotas grelhadas servidas. (nº262)
  • Neblina, 9% álcool, ano 2004, vinho branco meio seco, DOC Vinho Verde. Sociedade Agrícola e comercial da Quinta da Aveleda, Penafiel, Portugal. Castas: não declaradas. Aparência: límpido, cor branco esverdeado. Aroma agradável também de baixa intensidade e permanência. Sabor agradável, leve, macio com menor acidez e maior sensação de doce que o anterior. Combinou com as batatas com manteiga e ervas que acompanhou o peixe. (nº263)
  • Varanda do Conde, 11% álcool, ano 2004, vinho branco meio seco, DOC Vinho Verde. Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção, Portugal. Castas: alvarinho e trajadura. Aparência: límpido, cor branco esverdeado. Aroma agradável de baixa intensidade de frutas. Sabor muito agradável, mais potente e com permanência maior que nos anteriores. Acidez alta, mas equilibrada. O teor alcoólico é mais alto, mas o vinho não perde as características de vinho verde. Foi o preferido da maioria. (nº264)
  • Portal do Fidalgo, 12% álcool, ano 2004, vinho branco meio seco DOC Vinho Verde. Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção, Portugal. Castas: alvarinho. Aparência: límpido, amarelo palha claro. Aroma muito agradável de compotas. Sabor agradável, boa potência, maior sensação de doce que o anterior. Não tem as características do vinho verde ou seja alta acidez e “agulha” na língua. (nº253)

Fontes:
Livro do Saul Galvão
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinhos_portugueses
http://www.tutomania.com.br/saiba-mais/compatibilizacao-entre-queijos-e-vinhos

Um comentário:

  1. não é correcta a afirmação de que existem cinco sub-regiões de Vinho Verde.

    1) Monção e Melgaço
    2) Lima
    3) Cávado
    4) Ave
    5) Basto
    6) Sousa
    7) Amarante
    8) Paiva
    9) Baião

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